Ela nunca gostou muito de pessoas, ou talvez gostasse demais. Sempre precisou de carinho, amor; embora nunca demonstrasse. Se escondia, meio fria, meio quente demais. Falava alto, ou bem baixinho. Havia dias, em que ninguém lhe tirava uma palavra, quieta ficava, assim, pensando. Havia outros em que ninguém a contia. Saltitava por aí. Sua grosseria superava limites. Pavio curto. Se afastava das pessoas, querendo que se aproximassem. Desprezava a sociedade. Ah, e como. A futilidade chegava a tal ponto que a incomodava. Sempre odiou mentiras, falsidade e principalmente injustiça. Não que fosse perfeita, pelo contrário. Oh, menina complicada. Nunca foi de falar “eu te amo”, mas amava demais. Emburrada ficava, talvez porque não gostava de conviver com as pessoas, odiava julgamentos.
Dava altas gargalhadas, sorrisos contínuos, mas chorava com a mesma intensidade. Se preocupava demais, ou de menos. Impaciente; mas não queria que o tempo passasse. Pensativa. Mas falava sem pensar, ou talvez falasse tudo que pensava. Tão complicada, coitada. Parecia tão forte, mas frágil era. Mal aguentava a si mesma.
Era ao extremo. Era tudo ou nada. De menos ou demais.